sábado, março 29, 2008



Esqueci-me de tudo...
Esqueci o som dos carros, os telemóveis, da televisão, do revirar do jornal, dos travões, da água a sair da torneira, dos cães a ladrar sem razão, das sirenes das ambulâncias, das pessoas que vejo todos os dias, de Lisboa, de mim...esqueci-me de tudo isto e muito mais...
Só para poder ouvir, o silêncio.
Só para poder, respirar.
Só para poder olhar um céu estrelado, uma lua por inteiro, beber água gelada acabada de roubar à fonte, correr nas pedras da aldeia, ver o nascer-do-sol e o pôr, sem respirar quase, tal a brutalidade da chapada visual.

Poder enrolar o meu próprio cigarro com sabor a mentol, acendê-lo sob uma luz avermelhada de fim de dia, olhar o céu e sentir que ali, naquele momento só existe quem esteve ali para o viver, porque gosto, porque não devia dizer mas é verdade, demasiado.

Gosto disto e disso, é isso, do silêncio.

terça-feira, março 25, 2008



Parte II, continuação...


Muitas recordações, Vanessita piquena e coiso, nostalgias parvas parte II

segunda-feira, março 24, 2008



Não se podem copiar coisas assim, não se podem imaginar coisas assim, seria contra-natura...Assim não seria tão perfeito, assim não seria tão genuíno... Meti-me num autocarro daqueles que as pessoas costumam divagar quando vêm o destino (767 Damaia) e passei por África em Portugal, no fim da rua uma loja chamada (em letras garrafais) SONS D´ÁFRICA e um pouco mais atrás uma tasca cheia de pessoas de pele mais escura a grelhar febras cá fora e a ouvir kizomba, o cheiro era de tal forma intenso que entranhava-se no autocarro...era um quadro pitoresco da Damaia. Cheguei ao meu destino, a minha adorada Maria, havia um picnic a realizar e tudo começava ali. Conversas e (ainda mais) afinidades descobertas, inclusivé a do papel higiénico, fomos às compras para o dito cujo picnic e perdemo-nos em cerelac, blédilac, bolachas do egas e do becas, tremoços, amendoins, pleno, aperitivos japoneses e coisas aterradoramente deliciosas. Compras feitas, mãe da Maria conhecida ( muito muito muito bom :D) e irmão da Maria "imbroglado" na boleia, chegaram a Vânia e o João e o set estava completo, destino? Sintra. Viagem parva, muito parva, chegámos a Sintra, a minha venerada Sintra, passámos por mil e um estrangeiros e caras desconhecidas, por fontes e depois de nos apercebermos que o parque ia fechar em meia hora, descemos as escadinhas mágicas para o magic spot. Estendemos a toalha e organizámos a paparoca, que agora já envolvia quiche da Maria, chamuças, croquetes e pasteis de feijão do nosso querido João e sentámo-nos, só depois nos apercebemos que foi em cima de urtigas, mas isso agora não interessa nada haha. A partir daí foi o regozijo total, riso? demasiado! Comida? Segundo a Maria, e passo a citar "se isto fosse para uma familia em África dava para um ano!"...refundidos em Sintra e a escurecer a parvoíce congénita tornou-se absolutamente deliciosa. é de noite, temos de ir andando, a cabeça está um balão de tanto rir e a lua é magnética. Juntaram-se a nós os nossos afamados Jajão e Chico e por entre indecisões e parvoíces, depois de um copo no Pavilhão Chinês e viagens de seis pessoas dentro de um Fiat Seissento (dont ask...) acabámos a comer cogumelos salteados em aziete e oregãos, batatas fritas de presunto e chipmix com doce de morango, groselha, leite e Baileys às 4h da manhã seguido de conversas sobre desenhos animados às 5h no quarto, em Oeiras... De manhã, tomando o sol como nosso inimigo nº1 e os óculos de sol como amigo nº1, decidimos que era hora de retornar às nossas cavernas escuras para hibernar... Provas disso? deixo-vos algumas, acima...

Post Scriptum - Para mais tarde recordar...e repetir...purum...

sábado, março 22, 2008


Sou mesmo uma miúda de 21 anos, mesmo... Sou daquelas pessoas irritantes que quando começa uma conversa gosta de a acabar, que quando tem coisas por dizer diz, que quando tem de ficar chateada, fica...mas isso porquê? Porque sou uma miúda de 21 anos, que não percebe algumas coisas, que ainda tem de crescer, que ainda tem de ver o mundo de outra perspectiva. Sou crescida para umas coisas, crescidissima para outras, mas há sempre aquela parte em que sou e serei apenas uma miúda de 21 anos. Chapadas que se levam, mas normal, temos de crescer de alguma maneira, engolir o orgulho, fingir que não se ouviu, não se viu, não se soube, deve ser assim no mundo dos adultos...better get used to it right?...

Post Scritpum - Desabafos parvos de momentos demasiado parvos...

segunda-feira, março 17, 2008



Sei que vem um pouco atrasada, mas mesmo assim, a resposta ao desafio do Amsilva, 12 palavras que sejam indispensaveis na minha vida...


Olhos, porque sempre foi do que mais ouvi, indentifico-me por eles, vejo o mundo por eles, porque cada um é único e é a primeira coisa que reparo numa pessoa, a forma, a expressão, a cor, porque falam da maneira mais bonita, o silêncio...


Amigo, porque são aqueles por quem nos apaixonamos sem pedir e sem saber, porque são os que escolhemos e porque sem eles nem nós sabemos ser nós próprios, são almas partilhadas, são isso e muito mais...é um privilégio sem igual...


Lua, porque não sei viver sem ela, tem algum poder que nem eu sei descrever em mim que é assustador, tentador, sensual, único...

Mar, atracção pura e indescritível, necessidade básica de estar em contacto, sorriso instantâneo e o "renascer" de cada vez que toco, uma reinvenção necessária...

Alma, porque a minha carrega muita história que almeja encontrar outras, novas, velhas, conhecidas ou desconhecidas, momentos já passados e revividos, momentos absolutamente únicos, a vida na sua essência, a minha, a tua...


Oriente, demasiado presente em mim, sem razão aparente, é quase um íman dentro de mim, adoro tudo, devoro tudo, desde o animé, geishas, kimonos, história, música, comida, pessoas...fascínio...


Escrita, porque não sei viver sem escrever, a primazia da minha comunicação, primeiro comigo, depois com o mundo, a minha mente flui e materializa-se nos dedos fervorosos, frenéticos...

Cheiro, memória olfativa demasiado presente, o cheiro do mar, do vento, do óleo de ameixa, do óleo de jasmin, da papa que a mamã fazia quando era pequena, das filhoses de abóbora no Natal, do meu perfume favorito, de Sintra, de Tomar, de Lisboa, de Paris, dos incensos, do papel depois de escrito, da chuva, do café, da casa de Oeiras, da madeira, dos chás...

Sapatos, vício, prazer, fetiche, amor, loucura, colecção, estética, perdição...Emelda...Rui...gozo...


Sexo, ia ser hipócrita se não mencionasse, porque é algo absolutamente único e quase indisível, é definitivamente uma parte muito relevante...


Pecado, os 7, porque me ficaram marcados e porque as nossas vidas são regidas por eles, irónicamente não pelo "medo" de os cometer, mas exactamente pelo facto de vivermos, não só com eles, mas neles...(e ainda bem...)


Sentimento, porque é impossível não os ter, aliás é possível sim, chama-se morte...

Pedaços de mim, pedaços de alma...puzzle...sim tem solução...

É um passo, são dois, são três...são menos ou mais, dificeis de contar, estranhos de perceber. Nunca se sabe ao certo quando começa; as coisas acontecem, gosta-se, vicia-se, quer-se, intensifica-se, ninguém parece querer falar, ninguém parece querer dizer o que está a latejar cá dentro, porquê? Medo?...De quê? Não sei, procuro, vasculho, rasgo, mordo mas não encontro. Um pensamento, vários até, rasgos de momentos que passaram, momentos que questionamos se existiram mesmo, senão foram fruto de uma ilusão demasiado bem concebida, uma mente maquiavélicamente inteligente e perspicaz para um coração que precisa de algo...mas não, não é, existiu, existe, não é por não dizermos o seu nome que ela deixa de estar lá. Sabemos que por muitos caminhos que escolhamos no labirinto, o mesmo só tem uma saída. Podemos fingir ser ratos de laboratório e vasculhar cada canto em busca da pequena réstia do cheiro do queijo, podemos ser japoneses inteligentes que sobem o muro e fazem da batota a vitória, podemos ser simplesmente nós, indefesos e "plantados" neste labirinto imenso, sem rumo nem futuro, nada pendente, até que algo, alguém, estende a mão e do outro lado da cerca de ervas cortantes e densas sentes a mesma temperatura que a tua, o mesmo toque rugoso de uma pele endurecida pelo tacto, a mesma respiração, o mesmo olhar, o mesmo batimento...há uma bifurcação lá à frente, damos as mãos e arranhamo-nos até lá na certeza de não nos perdermos um do outro ou esperamos pela bifurcação onde nos veremos sem sebes? Metáforas, foi alguém com imensa astúcia para fugir ao óbvio que as inventou, devia ser inteligente, interessante...gostava de o ter conhecido, ou a conhecido...gostava de...de...

quarta-feira, março 12, 2008

segunda-feira, março 10, 2008



6h da manhã, chuva intensa, céu cerrado de nuvens zangadas, uma vista sobre águas revoltas...é demasiado cedo...há um fim-de-semana para recordar, há coisas que se marcam na pele...há um "adeus" que não se quer dizer, que não se vai dizer...há flashes e imagens para recordar, há italianos e sofás para recordar..."vejo verde de um lado e verde do outro, estou definitivamente no norte..."...a praia, as praias...os almoços e jantares e o pequeno-almoço...a gabardine e a menina do restaurante...os olhos e as luzes...a efemeridade de tudo...gravadas, seladas numa caixa de diamante, para não se partir e não perder a sua essência...não adianta tentar pintar com palavras o que dito não foi nem vai ser...porque se vive e não se fala...um beijo

quarta-feira, março 05, 2008

segunda-feira, março 03, 2008


Isto não é amor, não é assim. Não são fadas nem princesas, não são bruxas más nem dragões, é um desespero, de querer saber se vale ou não a pena, de tentar apagar lágrimas e dores e ver que não saiem, que são como nódoas que nunca hão-de sair. Tenho uns olhos embargados, um coração que vai deixando de bater aos poucos, uma alma que sente que já chega, esta vida já deu o que tinha a dar, vamos esperar que a outra seja melhor. Ou eu já vivi um grande amor nas minhas vidas passadas ou então não sei...devo ter falto algo horrivel mesmo para ter de passar por dilacerações directas e impiedosas de uma alma, que agora, se sente desfragmentada. Eu não tenho nada, levaram tudo, tenho as mãos trémulas e um pensamento turvo que não percebe...simplesmente não percebe...não sei se estou a fazer sentido, não devo estar, se nem para mim faço como é possivel que para os outros faça?... Eu estou farta desta existência, farta desta letargia emocional, farta de me sentir autista e falar, farta de estar aqui e de ter de levantar a cara para os outros, farta de achar que amanhã será melhor quando nem eu acredito nisso, farta de ser boneco de corda que só puxam quando querem...farta de me doerem os olhos e fingir que é, só, cansaço... Mas o pior, o pior é ter de me aperceber que desilusão é uma palavra tabu para mim, e que mesmo assim, tenho de usá-la, desiludi-me outra vez, mais uma vez comprei bilhete de 10 viagens e só me deixaram andar 3... Não quero ver o mundo, não tenho mundo para acreditar, não quero saber do amanhã, porque amanhã eu vou estar pior, não quero saber de ninguém porque ninguém me pode curar esta doença, esta coisa infétida que se instala no peito e corroi tudo o que há lá dentro... Não quero mais ser a Vanessa, não quero mais ser jornalista, não quero mais fazer planos nem lembrar de aniversários, não quero...não...

domingo, março 02, 2008



Letargia sentimental...


Post Scriptum - Tema a desenvolver nos proximos tempos...assim que ganhar coragem...e souber o que é uma decisão...