segunda-feira, maio 28, 2007


Refugio-me em infusões enebriantes vindas do Oriente em tardes de um Maio tardio. As costas queimam-se por um sol já conhecido, episódios passados marcados por pele dourada. Tem lugar a minha terapia semanal, a minha fairy princess que me ouve e me fala e, acima de tudo, me compreende, como ninguém. O gelo estala nos dentes e faz escorrer uma longa gota que se esconde no meu decote, já adivinhativo de verão. "Essa cor fica-te bem...não sei se é do contraste com os olhos se com o cabelo mas fica-te mesmo bem...", foi naquele dia, daquele mês, daquele fim de ano cinzento e molhado, naquela cidade que me é mágica e baú de recordações, guardada por templários já desaparecidos por entre paredes frias de azulejo, uma écharpe oferecida pelo cavalheiro portador da alquimia nos olhos verdes outonais. A jornada tem sido longa, o fim das aulas aproxima-se e eu só consigo ver ondas à frente, preciso do silêncio do mar e da areia para me ver. Tenho-me escondido, sim, sei...ouço notícias do sul acompanhadas de gin tónico e de postais que já não recordo, sinto-me leve, não me sinto aqui...viajo bem longe numa mente invadida de piratas, caraíbas, e algodão doce. As saudades pararam, guardei-as algures nos meus recalcamentos...virão em força não tarda, bem sei...mas até lá reprimem-se. Disfarço-me por entre lençois em pecados mortais de inferno garantido, grandes companhias futuras. Quero o meu 2004...quero o meu sorriso algarvio e crepes de Lagos...quero...quero muito.
Até lá regozijo-me em japoneses e saké quente, ou não fosse eu a la japonaise.