terça-feira, junho 19, 2007


No silêncio crepúscular de junho, junto de uma das janelas ornadas, ela olhava o degradé de cores celestes que se fundiam com a noite adivinhativa de verão. A brisa tocava-lhe os lábios ornando-os de coral e o peito estava fresco e saliente por entre o decote descoberto. Atrás de si estava o pêndulo, o seu pêndulo, aquele que quando tocado a fazia balançar. Às vezes de uma forma boa, oscilando com o equilibrio certo para continuar a fazer circulos na areia...outras de uma forma desordenada que mais parecia que o pêdulo ia partir. Agora estava parado, oscilava um pouco fazendo pequenos desenhos na areia quente do sol, o que a fazia sorrir. O sol teimava, agora, em desaparecer, e os seus cabelos dourados eram beijados sofregamente pelo sol sugado pela noite lunar. Ela sorriu à primeira estrela e decidiu que era tempo de voltar, o pêndulo estava parado, o equilíbrio, equilibrado...
Ela entrou e deixou a porta pesada de madeira entreaberta, quando chegou ao fim do corredor sentiu o pêndulo partir...a era de veludo tinha chegado ao fim...

Post Scriptum - Metáforas, metáforas, pêndulos e unicórnios existem no mesmo paralelo...