quarta-feira, junho 11, 2008




Os dias já não vivem apertados, sufocados. Respiram, vivem. O comboio espera-me pelas 8 do sol nascente, leva-me até à serra das mil e uma noites. Faz-me respirar o ar de mistério, pinheiro e eucalipto. Levo as unhas pintadas de vermelho e os olhos cheios de azul, uns lábios de sorriso imenso e sincero. Apaixono-me, de novo. Lembro sentimentos que esquecera, pinto de vermelho o coração, mas não é sangue, é sentimento. Encho o peito desse ar cristalino e puro de uma Sintra mais embrenhada em si, na sua beleza intemporal. Faço promessas de beijos, de fins-de-semana em tendas no meio do norte, de caminhadas na Arrábida, de praias nocturnas, de feiras artesanais arrebatadas por mim, por ti, por nós. Rouba-me o sabor da melancia dos lábios molhados e frescos, relembra-me o porquê de achar Odeceixe o paraíso e rapta-me para Barcelona no nosso barco de papel feito nas mãos quentes dos sonhos. Diz-me todos os dias que cor decidiram tomar os meus olhos e procura-me analgésicos às 4h da manhã enquanto derramo lágrimas maricas de dor de dentes. Faz-me festas nos cabelos encaracolados de luz dourada e beija-me antes de adormecer, só mais uma vez. Cheira-me a St. António, vamos percorrer ruas, cheirar manjericos nas palmas das mãos e roubar farturas com a gulodice. Dançar no castelo e fazer amor com a nossa menina Lisboa que nos enamora sempre que a tocamos. Vem contar luzes de candeeiros antigos e tentar perceber para que lado pende o reflexo da lua no Tejo da madrugada quente.
Gosto-te, lambe-me o ombro e sorri porque hoje, destapei o peito por ti.