terça-feira, setembro 09, 2008

Foi longo: a viagem, os dias, os momentos. Aquele pequeno pedaço de chão onde acaba (literalmente) a estrada é qualquer coisa. Paraíso perdido no meio de nenhures, a 20 km de Lamego, a pequena aldeia de Mazes. Tenho as minhas raízes ascendentes lá, mais refundidas na Galiza, puxei o lado galego, evidente por entre olhos e cabelos típicos. Duas serras preenchem a vista das janelas que se abrem pela manhã, o ar da floresta faz estranhar os pulmões urbanos poluídos e os dois rios que delimitam a aldeia fazem lembrar cenários de fadas e dragões. Temos castelos abandonados, histórias dos antigos para quem passa, ouve e quer ficar. Há uma aldeia no cimo, por detrás do sol posto que jaz, abandonada, na sua beleza ruída. A ponte romana, os penedos gigantes e as grutas e minas e as fontes, as tantas fontes e nascentes que brotam de todo o lado e nos sopram ao ouvido "bebe-me". A comida sabe melhor, a água sabe melhor, o ar sabe melhor, tudo é melhor. Estar longe do mundo e perto de mim e do que me une ao chão que piso sabe bem demais. Levei comigo a princesa dos olhos de musgo, a rainha da árvore e o rapaz do verde escondido. Subi os degraus da Nossa Senhora dos Remédios, trinquei rebuçados da Régua, comi bôla de Lamego, bolo de azeite e vinho morangueiro. A piscina foi demasiado convidativa e o tempo passou do temporal ao sol dourado. Até...