quarta-feira, junho 04, 2008




Lembro-me que a água estava fria, não gelada, mas fria. Estava ali sossegada na minha casa escura e hermeticamente fechada e vi uma luz. Uma luz tão forte que pensei (sim, porque as pastilhas pensam!) que era agora que ia finalmente efervescer. Saí desta cápsula imaginária, senti o meu corpo a perturbar a água, que estava calma e cristalina. Agora parecia o Vesúvio, eram bolhas por todo o lado. A água tomava a cor laranja, eu desfazia-me aos poucos, como que numa morte lenta e desejada. Foi lindo, parecia um festival de dança, o ar dançava até à superfície em espirais perfeitas. Não fosse alguém e a sua pressa terem bebido a água toda, e eu não havia definhado só e desfigurada no fundo do copo de vidro azul.

By La Japonaise in aula de expressão a encarnar uma pastilha efervescente