domingo, julho 05, 2009





É num cofre que se guardam. Os sonhos. Porque se querem guardados. Os sonhos. Querem-se trancados e intocáveis. Nada de almas deambulantes e intrusos indesejados. Nada de puxões no cordão-de-prata. Os sonhos não gostam de universos paralelos ao seu e querem a sua natureza perfeitamente impenetrada. Não se interrompem sonhos, porque eles fogem amuados. Não se forçam sonhos, porque eles desaparecem pela fechadura da porta. Os sonhos não têm limitações, nem foco automático. Vê-se tudo sempre desfocado, como que se tentasse ver o assassínio de alguém através de um vidro fosco. Vemos as cores, conseguimos destinguir silhuetas e algumas características até, mas nunca te tiram o véu. Quando os sonhos se juntam, e eu me lembro e tu te lembras, sabemos que a noite foi-nos roubada. Pelas almas irrequietas que não gostam, nunca gostaram, de estarem quietas no seu invólucro rouge e espasmóico. De nos lembrarmos que estávamos lá, e provavelmente, lá coniniuamos. Porque na intocabilidade dos sonhos descansam almas sedentas de toque, de solidão temida e amantes sôfregos. Os meus sonhos são tão intocáveis quanto os teus, porque é uma metáfora demasiado bem construída, o facto de o meu espigão característico nunca te ter picado, mas antes fascinado e o teu cabelo fogo nunca se ter afogado no meu oceano imenso. Os sonhos querem-se...silenciosos e secretos, querem-se como nós, querem-se...